

O Maneo [projecto anti-violência gay de Berlim] estava à procura de filmes de estudantes para fazer este spot. Foram entregues muitas propostas e a minha acabou por ser seleccionada.
E que ideia é essa?
Queria fazer algo muito simples e atingir o público. Queria colocar a plateia numa situação em concreto, que tivesse de sentir o que sucederia perante o acontecimento e reflectisse depois sobre essa fuga do seu olhar em concreto. Um pouco sugerir à plateia o que poderia ter sido a sua atitude perante o que se vê...
Crê que essa fuga do olhar para o lado, evitando a cena de violência corresponde ao comportamento habitual da nossa sociedade?
A maior parte da sociedade, sim, infelizmente. Há sempre excepções. Mas creio que cinquenta por cento das pessoas reagiriam assim.
O filme está a ser exibido nas salas de cinema?
Em Berlim, sim. Ou seja, as pessoas para quem este spot era destinado estão a vê-lo, e não apenas as plateias queer, que na verdade não precisam mesmo de o ver. As pessoas violentas e agressivas acabaram, assim, por ter de o ver. É importante poder agir sobre as coisas, poder mudar alguma coisa, através de filmes...