
No centro da acção estão Chuck (Adam Sandler) e Larry (Kevin James), dois bombeiros de Brooklyn (Nova Iorque), o primeiro um incansável mulherengo, o segundo, viúvo e pai de dois filhos, a braços com sérias complicações financeiras. Como solução para os problemas, Larry desafia Chuck a simularem uma união gay. O caso rapidamente chega a um departamento local que averigua da veracidade destas situações. Ou, como diz a dada altura o inspector (interpretado por Steve Buscemi), não esteve a comunidade LGBT a lutar pelos seus direitos anos a fio para, agora, outros se aproveitarem, indevidamente, de certas conquistas. Chuck e Larry têm, a todo o custo, de provar que são mesmo um casal gay... E é aí que o filme descola, num desfile (por vezes hilariante) dos mais estafados clichés, que parodia... Nem falta uma festa ao som de Abba e Pet Shop Boys... Neste processo entra em cena o já referido reverso da medalha. Ou seja, integrados na comunidade a que fingem pertencer, Chuck e Larry conhecem então atitudes discriminatórias e, claramente, situações de homofobia. E é aí que o realizador Dennis Duncan consegue fazer de Declaro-vos Marido e... Marido mais que apenas uma inócua comédia de domingo à tarde. É curiosa a relação da evolução da história com os filhos de Larry, ela dada aos desportos, ele ao showbiz, que não estranham em nada a entrada do tio Chuck nas suas vidas de forma mais permanente. A troca de papéis dos protagonistas lança ainda outros debates, nada subliminares, expõe comportamentos, desmonta-os inclusivamente. Consequência da “revelação” do casamento (entretanto forjado no Canadá), Chuck e Larry viram ícones da comunidade LGBT local, reconquistam os colegas de trabalho, apesar de nunca demoverem as suspeitas do chefe do batalhão (Dan Akroyd). A complicar tudo, mais ainda, vemos o despertar da paixão de Chuck pela advogada que os defende...
