Monday, December 31, 2007

Queer Lisboa 12

Estão já marcadas as datas para o Queer Lisboa 12 - 12º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa.

19 a 27 de Setembro de 2008
Cinema São Jorge

Tuesday, September 25, 2007

Imagens do festival (4)

O realizador espanhol Julián Quintanilla, poucos minutos antes de apresentar a sua curta-metragm No Pasa Nada na sala 3 do Cinema São Jorge.
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A equipa de Davy & Stu (o argumentista Anton Dudley e o realizador Soman Chainani) com João Ferreira.
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Lisa Gornick em plena apresentação da longa metragem Tick Tock Lullaby, na sala 1 do São Jorge.
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.Carla Despineux (directora da Feminale) e Albino Cunha, presidente da Associação Cultural Janela Indiscreta, à porta do cinema.
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.No escritório do Queer Lisboa 11, Celso Júnior (fundador do festival), Miriam Faria e Ivo Valadares

Sunday, September 23, 2007

Queer Lisboa 11: os vencedores

Melhor Longa Metragem de Ficção
Solange Du Hier Bist, de Stefan Westerwelle
(Alemanha, 2006)

Menção Especial para a actriz
Carla Ribas
A Casa de Alice, de Chico Teixeira
(Brasil, 2007)

Melhor Documentário
Estrellas de La Linea, de Chema Rodriguez
(Espanha, 2006)

Melhor Curta Metragem (Prémio do Público)
Singularidades, de Luciano Coelho
(Brasil, 2006)

Saturday, September 22, 2007

Sessão de Encerramento
The Picture Of Dorian Gray

A noite de encerramento do Queer Lisboa 11 – Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa decorre hoje, no Cinema São Jorge, pelas 21h00. Durante a cerimónia os filmes galardoados serão anunciados por Cucha Carvalheiro, a Presidente do Júri para a categoria de Melhor Longa-Metragem ( 1.000,00€), e por Ana Luísa Guimarães, Presidente do Júri para a categoria de Melhor Documentário (1.000,00€). O Prémio para a Melhor Curta-Metragem (500,00€) é resultado da votação do público. Após a apresentação dos filmes e realizadores laureados, será exibida a longa-metragem The Picture of Dorian Gray, de Duncan Roy (E.U.A., 2006, 97'), obra absolutamente fiel ao espírito de Óscar Wilde, que recoloca as personagens do escritor e dramaturgo irlandês na Nova Iorque dos nossos dias. David Gallagher, Noah Segan e Christian Camargo, respectivamente nos papeis de Dorian, Basil e Henry, além de fisicamente incorporarem a beleza física destas personagens – "one is never too thin", dizia Wilde –, são três magníficos actores que oferecem uma enorme consistência a esta brilhante adaptação da novela de Wilde, plena de jogos de fascínios e traições mútuas, de desafios e contratos (i)morais.

Debate
Flores Verdes, ou a importância
de se chamar Wilde

A Associação Cultural Janela Indiscreta organiza, no âmbito do Queer Lisboa 11 – Festival de Cinema Gay e Lésbico , e a propósito da exibição do filme de encerramento O retrato de Dorian Gray, o debate em torno da influência de Óscar Wilde no cinema e na cultura pop - Flores Verdes, ou a importância de se chamar Wilde. A reflexão dar-se-á pelas 15h30 de hoje, na Sala 2 do Cinema São Jorge. António Fernando Cascais, em representação da Janela Indiscreta é o moderador, Francesca Rayner (Professora Auxiliar da Universidade do Minho) e Mário Jorge Torres (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) são os intervenientes convidados.

Esteta, dandy, mártir e ícone gay, Oscar Wilde defendeu a ideia de que a vida imita a arte e não o contrário. Fez uma apologia anti-naturalista da arte de viver segundo critérios de estilo e contra modelos impostos, que se tornaria em modelo de referência do construccionismo queer. Obras suas como O retrato de Dorian Gray inspiraram um caudal de versões cinematográficas que exploram os temas do duplo e do uncanny. Esta é uma oportunidade a não perder para debater o seu legado.

Entrevista: Stu Maddux

Stu Maddux esteve em Lisboa para apresentar o documentário Bob and Jack’s 52 Year Adventure, filme documental sobre um relacionamento de 52 anos entre dois homens norte-americanos. Na ocasião, e depois de uma sala cheia para ver o filme, falou connosco:


Como encontrou a história de Bob and Jack? Ou foi a história deles que o encontrou a si?
Bom, é um pouco assim que os documentários acontecem: as histórias passam à nossa frente e pedem para ser contadas... Um amigo meu apresentou-me a Bob e a Jack, e o primeiro tinha já escrita uma história da sua vida num bloco de notas. Li-a... E foi como ler a história da nossa família contada pelos nossos avós. Senti que daria um bom documentário.

E como pensou como transformar essas notas escritas num filme?
Procurei três coisas. Em primeiro lugar se tinha uma boa história, o que era um facto. Depois, se eles seriam ou não boas figuras frente a uma câmara, o que ao fim de pouco tempo foi evidente. A terceira coisa foi verificar que imagens teriam para apoiar visualmente esta história que queriam contar. Não os poderia manter a eles dois frente à câmara sem nada mais para mostrar. E a verdade é que o Bob e o Jack tinham guardado tudo, milhares de fotografias deles, lembranças, passaportes. Estava tudo numa quantidade espantosa de álbuns de fotografias. E grande parte do projecto foi dedicada à pesquisa nesses álbuns.

Há imagens criadas por si a dada altura, que fogem ao presente e a essas fotos. Porque as usou?
Usei-as porque havia momentos para os quais não tinha nada que mostrar. Não havia imagens do Jack a deixar a mulher e os filhos... Coloquei-me na pele deles, olhei em volta e procurei imagens que pudessem transmitir o que sentiram. Lembro-me de estarmos a beber café quando falámos da separação do Jack... Então resolvi usar imagens com chávenas e cafeteira para ilustrar esse momento em que a notícia rebenta em casa deles.

Bob e Jack são figuras reais, mas por vezes quase parecem figuras perfeitas criadas por bons actores...
Eles orgulham-se muito do facto de terem sido em tempos actores e figurantes, assim como fizeram rádio... Por isso consideram-se como uma equipa que se sabe comportar nestas situações. Há um pouco de representação da parte deles, talvez.

Bob e Jack acompanharam a construção do filme?
Montámos o filme e depois mostrámos-lhes o filme. E reagiram muito bem. Foi talvez a melhor reacção que tive num projecto meu... Mas isso deve ter acontecido porque foram actores e têm um sentido do que se deve mostrar e acrescentar. Reagiram muito bem. E desde então têm ido a muitos festivais connosco. Infelizmente a sua saúde não lhes permite ir a todos e por isso não vieram a Lisboa. Mas já cá estiveram e deram-nos indicações de coisas a ver e de restaurantes a não perder. Gostaram muito de Lisboa.

O filme retrata uma relação com 52 anos. Acredita em relações duradouras?
Não sabia se acreditava antes do filme, mas agora acredito. Bob e Jack têm os mesmos problemas de todos nós. Não são dois freaks... Tinha 38 anos quando comecei o filme e nunca tinha tido relações com mais de quatro anos... Sabia de uma ou outra mais longa, entre amigos, mas nada assim. Não tinha exemplos... E isso é uma das coisas que sai deste filme. Dá-nos um exemplo. E há mais...

Friday, September 21, 2007

Sessão especial
The Blossoming Of Maximo Oliveros
Sala 1, hoje, pelas 22.00

Hoje, pelas 22.00, na Sala 1 do Cinema São Jorge passa o filme The Blossoming Of maximo Oliveros, do filipino Aureaus Solito, o mais premiado dos filmes no circuito dos festivais de cinema gay e lésbico pelo mundo fora no último ano.

Sinopse: A pureza do primeiro amor é maculada pela miséria e corrupção dos bairros de lata de Manila, espaço onde decorre a acção de The Blossoming of Maximo Oliveros. Maxi, um rapaz gay na pré-adolescência, é profunda e serenamente dedicado à sua família de pequenos ladrões. Ele limpa-lhes a casa, cozinha para eles, lava-lhes a roupa, remenda-lhes os jeans esfarrapados, e, quando necessário, encobre os seus passos. O seu mundo gira em torno do seu pai e dos seus dois irmãos, que o amam e protegem. Até que Maxi conhece Victor, um polícia honesto, com bons princípios e bom aspecto. Os dois tornam-se amigos. Victor inspira em Maxi a esperança de uma vida melhor, o que vai provocar a ira da família de Maxi.

Entrevista: Stefan Westerwelle

O realizador alemão Stefan Westerwelle, de 27 anos, apresenta hoje na Sala 1 do Cinema São Jorge, pelas 16.30, o filme Solang Du Hier Bist, que começa a somar prémios internacionais. Trata-se de uma primeira obra, resultado de um trabalho de fim de curso, mostrando cenas do relacionamento de um homem idoso com um jovem prostituto. Antes da exibição do filme, o realizador falou connosco.

Este foi um filme de fim de curso. Teve de respeitar algumas regras impostas pela escola?
Foi um filme de fim de curso na Academy Of Media Arts em Colónia, que é uma escola de cinema muito especial na Alemanha, muito diferente das mais tradicionais. Trabalhamos em media arts, media design e cinema. Pelo que tive a liberdade total para fazer o que entendesse. Ninguém me disse sobre o que deveria falar o filme, não me foi imposta uma duração específica ou sobre como o deveria construir.

O que inspirou esta história?
A ideia não apareceu de um dia para o outro, num momento em específico. É um assunto que me acompanha há alguns anos. Depois de terminada a escola fui objector de consciência e prestei serviço num lar de idosos. Foi a primeira vez que fui confrontado com a morte e com a consciência de que, também eu, morrerei e que o ambiente à minha volta irá mudar. Tinha curiosidade também sobre saber o que é ser mais velho que eu. Essas eram as questões. Tentei aproximar-me de personagens mais velhos e maduros que eu, o que é uma abordagem talvez difícil, porque nem eu me imagino com 28 ou 30 anos, muito mais com 70... Tenho um amigo com 80 anos, que me acompanhou durante o tempo de escola. E com ele vi como mudam as coisas à nossa volta. Mas amar e ser amado não muda. Isso inspirou-me e definiu a base de toda a história.

Não se costuma ver personagens idosas no cinema queer...
Não apenas no cinema queer... E não é essa a única coisa que está ausente do cinema queer. O cinema de autor falta ostensivamente na cinematografia gay. Não sei porquê.

É um tabu retratar o desejo nos mais velhos?
Sim, é verdade. Mas creio que todas as respostas que tentasse agora dar seriam um lugar comum.

Por isso fez o filme? Para tentar evitar os lugares comuns?
Não. Mas não é um lugar comum, porque nos esforçámos por concentrar esforços em mais que apenas um assunto gay. Concentrámo-nos na criação do retrato de um velho.

O cinema fala muito de morte, mas poucas vezes por velhice...
Talvez porque seja pouco espectacular... Mas é a realidade. E isso não acontece apenas no cinema gay. As pessoas não encaram o seu futuro... A morte não faz parte da nossa consciência, daí os retratos de acidentes, assassínios, as coincidências.

A música acentua o ritmo lento do filme. Como a escolheu?
Foi uma entre as muitas coincidências deste filme, tal como o foram a escolha dos actores ou o ter encontrado a equipa certa. Aconteceu... Estava num café, depois de um dia de rodagem, e estava a pensar em qualquer outra coisa. No café estava a passar um CD que ouvi, e senti que essa deveria ser a música do filme.

O filme tem recebido prémios. Tem pensado no seu futuro como realizador?
Tenho, sim. O primeiro convite que tive para um festival foi em Locarno e isso mudou tudo. Antes não tinha a mesma auto-confiança... Não sabia bem o que ia fazer, porque fazer cinema pode não dar dinheiro... Mas a minha vida mudou depois desse festival. Já estivemos com o filme em 40 festivais, criámos um press release, temos produtores a querer trabalhar connosco, recebo argumentos...

O filme vai ter lançamento comercial?
Sim, estreia na Alemanha a 25 de Outubro. Depois haverá um DVD. E uma companhia francesa vai tentar vende-lo internacionalmente. O que sei que será difícil...

Thursday, September 20, 2007

Entrevista: Christian Liffers

O realizador alemão Christian Liffers está em Lisboa para apresentar, hoje, o documentário Dos Pátrias: Cuba Y la Noche, sobre a vida homossexual em Cuba. Antes da apresentação, falou connosco:


O que despertou a sua curiosidade sobre a vida homossexual em Cuba?
Foi mais ou menos um acaso. Fui a Cuba pela primeira vez em 2004. Fiquei muito supreendido e emocionado com as pessoas que conheci. Regressei ao fim de duas semanas e senti que tinha de documentar aquela cena naqueles espaços especiais. Passei um ano a tentar encontrar financiamento para fazer o filme, mas não o consegui na Alemanha. Então, em 2005, decidi fazer uma nova viagem, para investigar. E, depois, decidi produzir eu mesmo o filme.

Reinaldo Arenas é uma figura transversal às histórias e lugares que vamos descobrindo. Porque trouxe as suas palavras e memórias a este filme?
Foi outro acaso. Quando regressámos de Havana em 2004, o filme do Julian Schnabel [Antes Que Anoiteça] tinha acabado de estrear. E aquela figura impressionou-me. Comecei a ler muito do que tinha publicado em inglês, espanhol e alemão. E foi uma decisão rápida... Ele é um pouco o percursor daquela cena em Havana, e era muito interessante ver se haveria diferenças entre a vida de há 25 anos e a de hoje. O que mudou e o que está na mesma...

O que mostra são retratos de figuras afastadas do mainstream da vida cubana do dia a dia. Como conseguiu chegar a estes casos?
Foi um processo longo. Passei duas viagens a fazer investigação. E a última durou dois meses. Encontrei-me, todos os dias, de manhã à noite, muitas pessoas, até chegar a estes seis protagonistas. Depois tive de encontrar os lugares onde me fosse permitido filmar. Tinha de explicar às pessoas que este era um projecto sério... É claro que houve dois lugares “proibidos”: um clube nocturno e uma festa privada. Nesta última só não fui autorizado a filmar o exterior do local para que não fosse, depois, identificado. Em muitas noites acabei bêbedo, porque tinha de beber rum para ir conversando com as pessoas com quem estava a falar. Foi árduo.

Como sentiu que a sociedade cubana reagia a estas figuras que conheceu?
Mais que um filme sobre um sistema político, este é um documentário sobre pessoas. E, sobretudo, sobre homossexuais numa sociedade machista. Que é também uma sociedade homofóbica. O filme fala da vida nesta sociedade. Fala de uma certa luta...

Houve casos que o surpreendessem particularmente?
Temos uma canção de reggaeton no filme... É um género muito popular. E como o hip hop, é uma música habitualmente muito homofóbica. Nem sempre, mas é frequente. E encontrámos um grupo que tinha letras muito boas. Perguntámos-lhes se queriam fazer uma canção para o filme. E é engraçado como se faz negócio em Cuba, porque concordaram em fazer e apresentar a canção (e a ceder os direitos) se nós fizéssemos um vídeo para a canção nova deles... Não pediram dinheiro. Só o vídeo. Assim, nos 11 dias de rodagem, além do filme, fizemos o vídeo deles. Fez-se em quatro horas. Ficaram com um bom vídeo, o que por lá é raro.

A música tem um papel central neste filme... Com um número final...
É um pouco como na ópera... Não tinha certezas antes de filmar, e reflecti muito sobre o conceito. Porque parecia-me claro que a música é uma realidade de facto importante em Cuba. Não é apenas aquele preconceito que temos dos velhos a tocar... A música é mesmo importante ali. Daí tornou-se necessário ter, para cada uma das pessoas no filme, uma canção própria, umas mais modernas outras mais antigas, em função da sua geração.

Wednesday, September 19, 2007

Lançamento do DVD
'Fabulous - A História do Cinema Queer'
hoje, pelas 19.30 na Sala 2

Hoje, pelas 19.30, tem lugar na Sala 2 do Cinema São Jorge o lançamento do DVD do documentário Fabulous - A História do Cinema Queer, de Lisa Ades e Lesli Klainberg, que a Lusomundo coloca esta semana no mercado nacional. A apresentação será feita por João Ferreira e Nuno Galopim.