O polémico filme de 1980 Crusing, de William Friedkin, terá brevemente edição em DVD. Crusing gerou fortes reacções de protesto junto de activistas da comunidade gay nova-iorquina mesmo antes da sua estreia. Estes protestos chegaram mesmo a tomar a forma de manifestações públicas, envolvendo desde cedo esta produção numa polémica que acabaria por resultar em resultados de bilheteira abaixo do esperado. Houve também quem tentasse boicotar as filmagens. As críticas apontavam marcas de homofobia patentes no filme, temendo um florescimento de eventuais crimes de ódio na sequência da sua exibição. A crítica cinematográfica também não foi positiva. Cruising relata a história de um polícia (interpretado por Al Pacino), que tenta resolver uma série de assassinatos de homossexuais na Nova Iorque de 70. O filme e resulta de uma adaptação do livro, com o mesmo título, escrito por Gerald Walker, um jornalista do New York Times.
Tuesday, January 15, 2008
Cruising chega ao DVD
O polémico filme de 1980 Crusing, de William Friedkin, terá brevemente edição em DVD. Crusing gerou fortes reacções de protesto junto de activistas da comunidade gay nova-iorquina mesmo antes da sua estreia. Estes protestos chegaram mesmo a tomar a forma de manifestações públicas, envolvendo desde cedo esta produção numa polémica que acabaria por resultar em resultados de bilheteira abaixo do esperado. Houve também quem tentasse boicotar as filmagens. As críticas apontavam marcas de homofobia patentes no filme, temendo um florescimento de eventuais crimes de ódio na sequência da sua exibição. A crítica cinematográfica também não foi positiva. Cruising relata a história de um polícia (interpretado por Al Pacino), que tenta resolver uma série de assassinatos de homossexuais na Nova Iorque de 70. O filme e resulta de uma adaptação do livro, com o mesmo título, escrito por Gerald Walker, um jornalista do New York Times.
Sunday, January 13, 2008
Pode alguém ser quem não é?
Acaba de ser editado entre nós, em DVD, pela Pride Films, o filme Hard Pill (EUA, 2005) – com o título em português Dura Pílula -, longa-metragem de estreia de John Baumgartner, que integrou a competição de longas-metragens da décima edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, em 2006.
Num registo de comédia dramática, John Baumgartner usa a vida mundana de um trintão norte-americano desencantado para lançar um interessante debate do foro ético: a “cura” da homossexualidade. Tim (Jonathan Slavin) é o protagonista. Aos 33 anos o seu perfil mostra um homem de vida profissional rotineira, com pouca sorte no amor, avesso às lógicas do corpo e do engate rápido que descreve como “moeda corrente” no mundo gay que conhece, encantado com um “amigo” “hetero” com quem passa ocasionais serões mornos. Tim tem, de resto, uma história antiga de atracções pelos homens “errados”... E um novo colega de trabalho acaba por revelar-se a gota de água... Apesar da atenção de amigos, com quem partilha o local de trabalho, a solidão ensurdece-o. A ponto de se oferecer, como cobaia, a testes de um novo fármaco que promete “curar” a homossexualidade.É aí que o filme ganha corpo. Usando imagens que simulam vox populi, escutamos posições da sociedade face a esta nova pílula, dos que a entendem como forma de genocídio aos que a assinalam como forma de devolver as pessoas ao “normal”. Apesar da aparente neutralidade perante os depoimentos (todos eles de ficção, naturalmente), o filme toma evidente partido. Através das reacções dos amigos, de fracassados casos com mulheres que entretanto ganham forma e da constatação, afinal, que essa não era, nem pode ser, a solução, John Baumgartner usa Hard Pill como parábola contra a eventuais tentativas de “normalização” do que há de mais vivo em cada ser humano: a sua personalidade, as suas opções. No fundo, a sua identidade.
Narrativamente interessante, mostrando o realizador sabendo usar uma montagem em paralelo para alargar a nossa capacidade de observar o mundo em redor do protagonista, Hard Pill não se afasta contudo dos códigos habituais no telefilme, talvez assim assegurando a solidez final de uma boa ideia com orçamento que se adivinha longe de patamares de sonho. Apesar da intensidade emocional de alguns momentos vividos na história e, sobretudo, do sério debate que o filme levanta, Hard Pill recorre a pontuais dispositivos de humor, servindo ocasionais janelas de comic relief... Sobretudo na mordaz forma como acaba por criticar-se semelhante ideia de duvidosa farmacologia. – N.G.
Friday, January 11, 2008
Loja iTunes inclui banda sonora
de Wild Tigers I Have Known
Apesar de não ter tido edição nacional em CD, a banda sonora do filme Wild Tigers I Have Known, de Cam Archer (que integrou a secção competitiva de longas metragens de ficção do Queer Lisboa 11) está agora disponível na loja iTunes portuguesa. A edição digital corresponde em tudo ao alinhamento do CD, incluindo participações de diversos nomes do actual panorama alterantivo como David Tibet (a solo e com os Current 93), Six Organs Of Admitance, Djuna Bel ou Emily Jane White, esta última sendo a autora e intérprete da canção-tema com o mesmo título do filme. A loja iTunes portuguesa tem ainda no seu catálogo o álbum Dark Undercoat, disco de 2007 de Emily Jane White, em cujo alinhamento encontramos também a canção Wild Tigers I Have Known.
Thursday, January 10, 2008
Do Festival para o DVD
Red Without Blue
B. Seabold, B. Sills e T. Sills, 2007
Premiado em diversos festivais, entre os quais Sundance, São Francisco, Toronto, Silverlake ou Miami, Red Without Blue integrou a secção competitiva de documentários em longa-metragem do Queer Lisboa 11 e recentemente foi exibido na RTP N. Realizado por Brooke Sebold, Benita Sills e Todd Sills, o filme coloca-nos perante a história de Mark e Clair, hoje um jovem estudante de pintura e uma finalista de sociologia e psicologia nascidos, há 23 anos, como gémeos idênticos. Nasceram, portanto, rapazes. Alex, o primeiro, foi imediatamente vestido a azul. Mark, logo depois, a vermelho. Cresceram juntos, numa família que revelaria não estar preparada para certas mudanças, quando estas começaram a surgir. Depois do divórcio dos pais, a história da família assiste ao outing de Alex. Pouco depois ao de Mark... A sua relação com a escola e colegas deteriora-se, sobretudo com o consumo de drogas, que inclusivamente começa a afastar os irmãos, atingindo-se um quase ponto de ruptura numa tentativa de suicídio, aos 15 anos de idade. Separados para programas de desintoxição distintos, passaram dois anos longe um do outro. E no momento do reencontro, Alex revela ao irmão que quer ser Clair.Esta é a trama que nos conduz à história, no presente, que vemos em Red Without Blue. O filme lembra a cadência narrativa e, inclusivamente, certas marcas de estilo do Tarnation de Jonathan Caouette. É mais que uma mera colagem de entrevistas. Antes, dissemina-as, ciente de que há uma narrativa a contar, e não apenas palavras a escutar. Usa o flashback, observa os protagonistas e o ambiente que os envolve, sugere mesmo processos de empatia (as figuras, apesar de reais, quase têm uma aura de cativantes personagens de ficção), evita as habituais “rasteiras” televisivas e usa, nos momentos certos, uma banda sonora bem escolhida (de Antony & The Johnsons e CocoRosie aos Magnetic Fields). O filme assenta, apesar das incursões pelo passado, no presente que assiste ao reencontro dos irmãos. Tocante, cinematograficamente exigente, Red Without Blue é um dos melhores documentários LGBT dos últimos anos. N.G.
Está já no mercado internacional uma edição em DVD de Red Without Blue. O DVD (lançamento em zona 0) tem leitura em qualquer aparelho. Além do filme (com 74 minutos de duração), o DVD propõe alguns extras interessantes, nomeadamente uma galeria de cenas cortadas (revelando estas uma correcta opção dos realizadores), imagens (em fotografia e uma sequência em vídeo) do trabalho artístico de Mark, uma entrevista com os gémeos onde se fala dos efeitos do filme nas suas vidas e na sua relação com a família, e uma outra, feita pelos irmãos aos três realizadores, onde estes explicam como chegaram a esta história, a transformaram em cinema e depois viveram o impacte que a exibição de Red Without Blue tem vindo a ter, sobretudo no circuito de festivais de cinema. A edição não é legandada.Monday, January 7, 2008
'Fora da Lei' no Zinegoak 08
Sunday, January 6, 2008
Do Festival para o DVD
Gypo
Jan Dunn, 2006
Primeira longa-metragem da realizadora britânica Jan Dunn, Gypo, integrou a competição na décima edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, em 2006. Tal como então revelaram a realizadora e produtora, que na ocasião estiveram em Lisboa, o filme nasceu de um muito limitado orçamento, recorrendo ambas, apenas, aos seus cartões de crédito. Gypo, todavia, tornou-se um filme não só internacionalmente premiado (venceu galardões nos British Independent Film Awards e o festival Frameline, de São Francisco), como até se revelou, depois de estreado, um caso comercialmente bem sucedido. O seu sucesso e visibilidade garantiram o financiamento suficiente para uma segunda produção da mesma equipa – Ruby Blue, com Bob Hoskins, estreado em 2007 – estando neste momento a realizadora a trabalhar na pré-produção de nova longa-metragem, que terá Brenda Blethyn no papel protragonista.Por necessidades de produção, ou seja, as já referidas limitações orçamentais, Gypo aceitou as regras Dogma 95 para narrar a pungente história de três personagens, duas delas Helen (Pauline McLyn, uma acriz veterana sobretudo com história feita em papéis de comédia) e Paul, formando um desencantado casal de classe proletária inglesa residente em Margate, a terceira sendo uma jovem refugiada vinda de leste, que, juntamente com a mãe, são alvo de manifestações de xenofobia pela comunidade local. A desagregação do casal inglês é central ao lançamento da trama e revela-se inevitável pela palavras e acções desagradáveis, ensopadas em preconceitos, intolerância e ignorância que Paul lança contra a jovem Tasha que, por sua vez, acabará por lembrar à mais velha Helen o que é ser alvo de cuidada atenção, e mesmo amor, verdades que um casamento de 25 anos há muito esqueceu (se é que alguma vez conheceu).
Cada história tem três lados, três ângulos que permitem a quem está de fora a visão plena e justa dos factos. Assim sendo, o filme surge dividido em três partes, cada qual centrada no protagonismo de cada uma das três personagens centrais. A história é, assim, servida de pontos de vista distintos, uns completando as revelações dos outros. Engenhoso golpe de asa narrativo sobre um argumento sólido e interpretações convincentes. Ou seja, contra o que vimos noutros filme “dogma”, nos quais o dispositivo formal parece ofuscar os realizadores pelas suas características visuais e técnicas, em Gypo o “dogma” é apenas ferramenta ao serviço de uma história que Jan Dunn mostra saber contar. Como escapou um filme como este ao circuito comercial? - N.G.
Gypo surgiu já em edição em DVD no Reino Unidos e EUA. A edição inglesa (Região 2) apresenta, além do filme, a hipótese de visionamento com comentários da realizadora, assim como um making of que dá conta do ambiente informal em que a produção decorreu, sublinha o engenho da equipa de produção perante um tão limitado orçamento e revela o entusiasmo com que os actores aderiram ao projecto. A edição inclui legendas em inglês.
Friday, January 4, 2008
'Mala Noche' em lançamento local
A Costa do Castelo acaba de editar, no mercado nacional, o DVD de Mala Noche, filme de estreia de Gus Van Sant que, há poucos meses, teve finalmente exibição nas salas portuguesas. Comentário crítico a este lançamento brevemente, neste blogue.
Thursday, January 3, 2008
Clássicos Queer Pop:
Bronski Beat, 1984
Os Bronski Beat surgiram da reunião do entusiasmo de três amigos, que partilhavam um pequeno apartamento em Brixton (Londres) em 1983. Com apenas nove concertos apresentados viram-se a assinar um contrato com a London Records, estreando-se discograficamente em Junho de 1984 com o single Smalltown Boy. A canção levantava uma série de questões, da homofobia à solidão, passando pelas formas de incompreensão que nascem na família perante a descoberta da homossexualidade de um filho, num registo claramente herdeiro do hi-nrg chegado das noites de Nova Iorque e São Francisco, vincando personalidade pela invulgar postura vocal de Jimmy Sommerville. A canção foi acompanhada por um teledisco, realizado por Bernard Rose, no qual a banda procurou uma ilustração narrativa directa da letra de Smalltwon Boy. O single foi um êxito estrondoso, atingindo o número três no top inglês e um inesperado número 48 nos EUA, abrindo caminho para a carreira de sucesso do álbum The Age Of Consent, editado poucos meses depois. A mais de 20 anos de distância, Smalltown Boy é hoje recordado como um dos grandes clássicos da pop dos anos 80.Smalltown Boy
Bronski Beat, 1984
(London Records)
Canção disponível no álbum The Age Of Consent
Wednesday, January 2, 2008
Filmes do Queer Lisboa 11 chegam ao DVD
Mais três filmes que intregraram a edição de 2007 do festival chegam nos próximos tempos ao DVD. São eles The Bubble, de Eytan Fox, que é lançado em diversos países europeus a 3 de Março, Glue, de Alexis dos Santos, que chega ao mercado do Reino Unido já no próximo dia 5 de Janeiro e Davy & Stu, curta de Soman Chainni (realizador que estreve presente em Lisboa), esta última integrada no volume seis da série Boys' Life, com lançamento nos EUA (Região 1, sistema NTSC) este mês. Brevemente aqui daremos conta de outros filmes apresentados na última edição do festival já com lançamento em DVD. Nenhum deles, contudo, ainda previsto para o mercado nacional. A imagem que ilustra este post é do filme The Bubble.
Tuesday, January 1, 2008
'Mysterious Skin' de Gregg Araki
com edição nacional em DVD
Mysterious Skin - Pele Misteriosa assinala a primeira experiência com grandes meios de produção para o realizador Gregg Araki, uma das mais destacadas figuras do chamado new queer cinema. Estreado em 2005, chegou às nossas salas no Verão de 2007 e, agora, surge em DVD numa edição simples, sem extras.
Esta é, a traços largos, a história de dois rapazes com raízes numa mesma pequena cidade remota no interior dos EUA. O reencontro, no presente, coloca juntas duas vidas separadas desde a infância, na sequência de um incidente que moldaria as vidas de ambos. Abusados, cada qual interioriza o choque traumático à sua maneira. Brian (interpretado por Brady Corbet, que brevemente veremos numa nova versão de Funny Games, de Michael Haneke), que sofreu uma “branca” na memória, recordando apenas o retomar dos sentidos na cave de sua casa, a sangrar do nariz, pensa que foi raptado por extraterrestres. Nick (soberba interpretação do promissor Joseph Gordon-Levitt, que em 2006 um ano vimos em Brick, de Rian Johnson), por seu lado, cresceu seguro, popular, rebelde, saudável. Mas assombrado por uma dúvida: o que é o amor? Dúvida cuja resposta vai tentar encontrar em Nova Iorque. Separados, um procura respostas nas estrelas, enquanto o outro chega a experimentar encontros (que não os do terceiro grau) com os homens que lhe aparecem pela frente. Um amigo comum vai juntar os seus caminhos e, do reencontro, afinal, resposta que, na verdade, já esperavam...Neste filme, Gregg Araki aborda com evidente cautela gráfica as sequências que ilustram a memória remota dois rapazes. Nesse aspecto, o filme é, como Araki definiu à altura da sua estreia, “muito discreto”, sublinhando opções que privilegiaram "os pontos de vista subjectivos" das personagens centrais.
O filme é baseado no primeiro romance do escritor norte-americano Scott Heim, que Araki leu no ano da sua edição (1996). Começou então por trabalhar uma primeira proposta para uma possível eventual adaptação para o cinema, submetendo-a ao atelier de desenvolvimento de argumentos do Festival de Sundance. Nada aconteceu. Em 2003, depois de um grupo de teatro de São Francisco ter adaptado o texto original para uma produção que lhe deu alguma visibilidade, Gregg Araki, retoma o velho projecto, e escreve ele mesmo o argumento. Fala com o escritor, procurando consentimento para integrar no filme algum do lirismo do romance e restituir a proximidade com a sua fonte original.
Nota final para a soberba banda sonora, resultado de uma parceria entre Harold Budd e o ex-Cocteau Twins Robin Guthrie, que encetou um relacionamento profissional entre ambos os músicos, que ainda hoje se mantém vivo.
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