O cinema português marcou presença forte na edição deste ano do Festival de Cinema GLBT de Turim, que decorreu entre os dias 17 e 25 deste mês. Dois filmes estiveram em competição. Foram eles A Outra Margem, de Luis Filipe Rocha (na secção de Longas Metragens de Ficção) e Fora da Lei, de Leonor Areal (na secção de Documentários), este último tendo integrado a programação do Queer Lisboa 11, em 2007. O cinema queer português teve por sua conta uma secção própria, não competitiva, com o título Europa Mon Amour: Fantasmas do Amor. Em destaque nesta secção estiveram O Charme Indiscreto de Epifânea Sacadura (1975), Solidão Povoada (1976), Aventuras e Desventuras de Julieta Pipi (1978) e Good-Bye Chicago (1978), filmes de Óscar Alves, resultado de uma parceria com o Queer Lisboa. O realizador Óscar Alves esteve presente em Turim para apresentar estes quatro filmes, juntamente com os actores Fernando Silva e Domingos Oliveira. Esta mostra de cinema português incluiu ainda os filmes de Joaquim Pinto Uma Pedra no Bolso (1988) e Onde Bate o Sol (1989) e as duas longas metragens de João Pedro Rodrigues O Fantasma (2000) e Odete (2005). Este último esteve também presente em Turim, não só para apresentar os filmes, como também enquanto membro do júri da secção de Longas Metragens de Ficção. João Ferreira, director do Queer Lisboa integrou, por sua vez, o júri da secção de Documentários.
Monday, April 28, 2008
Cinema português em Turim
O cinema português marcou presença forte na edição deste ano do Festival de Cinema GLBT de Turim, que decorreu entre os dias 17 e 25 deste mês. Dois filmes estiveram em competição. Foram eles A Outra Margem, de Luis Filipe Rocha (na secção de Longas Metragens de Ficção) e Fora da Lei, de Leonor Areal (na secção de Documentários), este último tendo integrado a programação do Queer Lisboa 11, em 2007. O cinema queer português teve por sua conta uma secção própria, não competitiva, com o título Europa Mon Amour: Fantasmas do Amor. Em destaque nesta secção estiveram O Charme Indiscreto de Epifânea Sacadura (1975), Solidão Povoada (1976), Aventuras e Desventuras de Julieta Pipi (1978) e Good-Bye Chicago (1978), filmes de Óscar Alves, resultado de uma parceria com o Queer Lisboa. O realizador Óscar Alves esteve presente em Turim para apresentar estes quatro filmes, juntamente com os actores Fernando Silva e Domingos Oliveira. Esta mostra de cinema português incluiu ainda os filmes de Joaquim Pinto Uma Pedra no Bolso (1988) e Onde Bate o Sol (1989) e as duas longas metragens de João Pedro Rodrigues O Fantasma (2000) e Odete (2005). Este último esteve também presente em Turim, não só para apresentar os filmes, como também enquanto membro do júri da secção de Longas Metragens de Ficção. João Ferreira, director do Queer Lisboa integrou, por sua vez, o júri da secção de Documentários.
Sunday, April 27, 2008
La león vence em Turim
A 23ª edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Turim levou, durante nove dias, uma verdadeira enchente de público ao Cinema Ambrosio, um multiplex de três salas no centro da cidade. Na hora da despedida de uma edição que contou com destacada presença do cinema português, aqui fica o extenso palmarés:Melhor Longa Metragem – La León, de Santiago Otheguy (Argentina/França, 2006)
Prémio especial do Júri – Nothing Else Matters, de Julia Von Heinz (Alemanha, 2007) e Les Chansons d’Amour, de Christophe Honoré (França, 2007)
Melhor Documentário – A Jihad For Love, de Parvez Sharma (USA, França, Reino Unido, Alemanha, Austrália, 2007)
Menção Especial – Darling! The Pieter Dirk Uys Story, de Julian Shaw (Austrália, 2007) e The Quest For The Missing Piece, de Oded Lotan (Israel, 2007)
Melhor Curta Metragem – Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho (Brasil, 2007)
Menção Especial – Ein Litel Tiger, de Anna-Carin Anderson (Suécia, 2006)
Prémio Nouvi Sguardi – Panorama, de Loo Hui Phang (França, 2007) e Solos, de Kan Lume e Loo Zihan (Singapura, 2007)
Menção Especial – Love and Words, de Sylvie Ballyot (França, 2007)
Prémios do Público:
Longa Metragem – Were The World Mine, de Tod Gustafson (USA, 2007)
Documentário - Darling! The Pieter Dirk Uys Story, de Julian Shaw (Austrália, 2007)
Curta Metragem – Café com Leite, de Daniel Ribeiro (Brasil, 2007)
Saturday, April 5, 2008
A Outra Margem no Festival de Turim
O filme A Outra Margem, de Luis Filipe Rocha, integra a secção de competição de longas metragens de ficção na 23ª edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Turim, que decorre entre os dias 17 e 25 de Abril. O programa oficial do festival inclui ainda uma mostra de cinema português, em colaboração com o Queer Lisboa. Haverá dois portugueses no júri de Turim: o realizador João Pedro Rodrigues (nas longas metragens de ficção) e João Ferreira, director do Queer Lisboa (nos documentários).
Tuesday, April 1, 2008
The Living End de Gregg Araki
chega pela primeira vez ao DVD
O filme The Living End, de 1992, um "clássico" de Gregg Araki e referência primordial na definição do chamado new queer cinema, vai pela primeira vez ter edição global em DVD. Apresentado agora com o sub-título Reximed and Remastered, o filme não é mais que o que se viu na época da sua estreia (inclusivamente em edição em VHS), com som e cor ligeiramente tratados, digitalizados portanto, não perdendo contudo a sua identidade lo-fi e filiação claramente indie. Esta versão "nova" de The Living End foi recentemente exibida em sala na edição deste ano da Berlinale. Os EUA são, agora, o primeiro país a anunciar a edição em DVD, agendada para 29 de Abril.
Sunday, March 30, 2008
Todd Haynes de regresso aos ecrãs
Acaba de estrear entre nós o filme Não Estou Aí (I'm Not There no original), o mais recente de Todd Haynes, um dos cineastas fulcrais na definição do conceito de new queer cinema nos inícios da década de 90. Conjunto de visões em volta das múltiplas personalidades e fases (criativas e vivenciais) de Bob Dylan, usando para tal actores entre os quais Cate Blanchett, Heath Ledger ou Christian Bale, Não Estou Aí recorda formalmente um dispositivo narrativo, fragmentado, que o mesmo Todd Haynes usou na sua primeira longa-metragem, Veneno (de 1991), filme que B. Ruby Rich tomou como um dos marcos para a identificação do que então designou por new queer cinema em histórico artigo publicado na Sight & Sound, em Setembro de 1992.
Thursday, March 27, 2008
Spider Lillies sai em DVD
O filme que venceu a edição de 2007 do Teddy Award, em Berlim, começa agora a ter distribuição em vários territórios europeus. Spider Lillies, um drama lésbico com origem em Taiwan, é o segundo filme de longa metragem de ficção de Zero Chou, com carreira essencialmente feita até aqui no cinema documental. Com marcas de contemporaneidade da era da comunicação virtual, plasticamente consistente, o filme marcou presença nos festivais de cinema gay e lésbico no ano passado. Spider Lillies terá edição em DVD no mercado britânico com o filme na sua versão original, com legendas em inglês, a 6 de Maio. O lançamento é assegurado pela Wolfe Video.
Sunday, March 23, 2008
Em Paris...
Chega esta semana ao mercado nacional de DVD o filme As Canções de Amor, do realizador Christophe Honoré (o mesmo de Em Paris e A Minha Mãe). É um musical. Mas não apenas um musical. É um filme dramático, no qual o recurso à canção não surge por mero dispositivo de deleite estético, mas para, de outra forma, sublinhar a intensidade de certos instantes. A voz cantada, por vezes, escuta-se com outra atenção... Atenção que não faltou aos espectadores em sala, nem aos pares de Honoré no cinema francês, tanto que o filme venceu o César deste ano para Melhor Banda Sonora. Nota portanto para uma das características da edição em DVD de As Canções de Amor que, além da galeria de extras (entrevista em Lisboa com Garrel e Honoré e imagens de um jantar com o realizador e elenco) apresenta um CD adicional com a banda sonora.
As canções que escutamos neste filme, muitas delas, surgiram em 2005 no álbum Garçon d’Honeur, o primeiro de músico francês Alex Beaupain, cantautor de afinidades com nomes recentes da nova canção (pop) francesa de travo alternativo e algumas traduziam já então o sentido de perda da morte, recente, da namorada do músico. Amigo de longa data de Honoré, e para quem compôs e gravou a canção da marcante cena do telefonema no final de Dans Paris, Beaupain transportou parte da sua experiência pessoal e as suas canções para a história que aqui se apresenta, ao lote de Garçon d’Honeur juntando outras expressamente compostas para determinadas sequências do filme. Com carga narrativa e cantadas pelas vozes dos próprios actores (Louis Garrel, Chiara Mastroiani, Ludivine Sagnier ou Gregoire LePrince Ringuet), as canções são, contudo, apenas um dos argumentos em favor deste assombroso feito de cinema. Como no seu filme anterior, Honoré olha a cidade, usa-a não apenas como cenário mas também como contexto de espaço e tempo onde a história acontece. São evidentes as marcas de admiração cinéfila pelo cinema de Demy, e também claras as heranças da Nouvelle Vague. Mas, filme a filme, Christophe Honoré vai desenvolvendo uma linguagem.Por linhas curtas, esta é a história de várias relações na Paris de hoje. Isamaël (Garrel) trabalha num jornal, a horas desencontradas com tudo e todos, inclusivamente Julie (Sagnier) com quem vive uma relação a três, o terceiro elemento sendo uma sua amiga e colega de trabalho... Um acontecimento súbito baralha os peões do jogo. E novas ligações e relacionamentos acabam por se desenhar e evoluir, muitos ao sabor do inesperado... Uma perda, um novo amor, uma outra sexualidade. Entre canções, histórias de figuras de carne e osso, seguras na sua caracterização, fortes ingredientes para um dos melhores melodramas dos últimos anos. – N.G.
Friday, March 21, 2008
Keillers Park chega à Europa em DVD
Até aqui apenas com lançamento em DVD no mercado norte-americano, o filme Keillers Park, que integrou a secção competitiva de longas metragens do Queer Lisboa 11, vai finalmente ter lançamento em DVD em mercados europeus. O primeiro dos países a assegurar o lançamento deste filme de Susanna Edwards será o Reino Unido, numa edição pela Pecadillo Pictures, agendada para 26 de Maio. O filme retrata o cenário que envolveu a história real de um crime de ódio que aconteceu num parque da cidade de Gotenburgo, na Suécia, em 1997, que vitimou um emigrante magrebino de 37 anos.
Tuesday, March 18, 2008
Histórias de Nova Iorque
Conhece edição em DVD entre nós um dos filmes mais premiados em festivais de cinema gay e lésbico da presente década, brindado também com o Grande Prémio do Júri, em Sundance, em 2004. Trata-se de De Irmão Para Irmão (no original Brother To Brother), escrito e realizado por Rodney Evans, e que representa mais que apenas uma narrativa de temática gay, um olhar sobre um movimento cultural que abalou as estruturas morais da América negra dos anos 20.
O filme divide o protagonismo entre duas figuras de gerações distintas, mas com interesses e alguns traços característicos em comum. É-nos primeiramente apresentado Perry Williams (Anthony Mackie), um estudante de artes que vive na Brooklyn de finais dos anos 80. Frequenta uma cadeira que discute a identidade cultural e política afro-americana, e toma como exemplo para outras formas de discriminação entre os discriminados a memória da escrita de Bruce Nugent, poeta e pintor com papel determinante na Harlem Renaissence (movimento artístico que gerou polémica entre a comunidade negra nova-iorquina de 1919 até meados dos anos 30) e que, em 1926, publicou o primeiro conto escrito por um negro americano usando personagens explicitamente homossexuais. Relegando para segundo plano a vida pessoal do estudante (a expulsão de casa dos pais, as suas relações de amizade e a frustrada demanda pelo amor), o filme ganha fôlego quando a vida de Perry se cruza com a de Bruce Nugent, agora um idoso sem-abrigo. O admirador e o admirado trocam ideias. Bruce (Larry Gilliard Jr) partilha memórias, encontrando assim a narrativa pontes entre dois tempos, o do presente, onde as palavras se trocam e a acção flui e o do passado, onde a memória, com a patine do preto e branco, recorda como, por vezes, só a capacidade de sonhar dos artistas rompe fileiras para dar visibilidade a vozes menos capazes de se fazer escutar. Imagens reais da Nova Iorque negra dos anos 20 cruzam este constante diálogo entre o antes e o agora, conseguindo o realizador nunca largar as rédeas de uma história que, apesar de viver sobretudo de uma evocação, sabe que tem personagens no presente sem as quais o lembrar da memória seria inconsequente.
Wednesday, March 12, 2008
Filme de concerto ao vivo dos Erasure
estreia no festival de Londres
A 22ª edição do London Gay And Lesbian Film Festival, que decorre de 27 de Março a 10 de Abril no National Film Theatre (South Bank) em Londres, inclui na programação a estreia de um novo documentário musical. Trata-se de Erasure: Live At the Royal Albert Hall, filme-concerto que documenta uma noite de revisão de carreira do duo britânico. Entre os muitos filmes que a edição deste ano do festival londrino está incluído I'm Not There, de Todd Haynes, que terá estreia nacional a 27 de Março.
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